top of page

Crítica: Barbie - "Consagra Greta Gerwig como uma diretora atemporal"

  • Mateus Coripio
  • 23 de jul. de 2023
  • 4 min de leitura


Estreou nos cinemas nacionais no dia 20 o tão aguardado e comentado filme da boneca Barbie.


Depois de muita especulação sobre sua trama, o longa finalmente chegou e conta a história de Barbie, que possuí uma vida perfeita nas sua casa dos sonhos e vive utópica Barbielândia. Mas em um certo dia, ela começa a ter pensamentos sobre a morte e sua rotina muda drasticamente, levando a boneca ao Mundo Real em busca de uma solução.


A produção já tinha sido muito rodada dentro da Warner Bros. e finalmente alcançou as mãos de Greta Gerwig, que ao lado de seu marido Noah Baumbach, também escreveu o roteiro. E é certo dizer, não havia escolha melhor para a comandar a obra.

Seu texto é extremamente bem bolado e tem uma mescla de comédia muito boa e atual. Gerwig entende a mente do seu público alvo e consegue jogar suas experiências e pensamentos de uma forma muito real para dentro deste mundo fictício, contrastando ele com a nossa realidade.


Quando o anuncio oficial do filme saiu, todos ficaram se questionando qual seria a história, se realmente poderia sair algo bom, e o resultado final foi muito além do esperado. Uma trama simples se destaca quando a conexão entre a direção e o roteiro é profunda, e a pessoa que esta comandando tem exatamente a visão perfeita para aquilo, e Barbie é exatamente um desses casos.


Invés de se propor a apenas uma narrativa genérica de aventura, aqui nos é apresentado com diversas críticas sociais e, até mesmo, à própria Mattel, que são muito bem colocadas na produção e rendem boas risadas. Tem direito até a uma narração da maravilhosa Helen Mirren, a qual quebra a quarta parede em alguns momentos, e provavelmente é uma das cenas mais engraçadas do longa.


Mesmo sendo um filme da Barbie, é bem certo afirmar que não é voltado para o público infantil, e sim para um mais infanto-juvenil e adulto.

E claro, também temos os momentos emocionantes, os quais levam os espectadores às lágrimas com o fantástico "efeito Greta Gerwig". A diretora mostra as emoções humanas para a boneca de uma forma linda e extremamente tocante, sendo de uma delicadeza imensa, como se uma mão quente encostasse em nosso coração. Ela tem uma visão muito especial, e que mesmo dentro de um filme de um grande estúdio e mais comercial, não se perde. É visto muito nitidamente este laço o qual a comandante da obra consegue criar com as pessoas por conhecer muito bem do nosso mundo atual, algo já visto em suas produções anteriores.

Lady Bird e Adoráveis Mulheres alavancaram a carreira de Greta e sempre foram muito destacados por sua grande qualidade de produção, elemento mantido em Barbie. O alto orçamento do filme possibilitou a direção de arte criar um visual belo e inspirado por grande clássicos, como O Mágico de Oz (1939), Os Sapatinhos Vermelhos (1948), Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), entre outros.


E não somente fica na arte as referências, mas existe um belo paralelo entre O Mágico de Oz e a jornada boneca. No trecho em questão, Barbie está se despedindo de seus amigos e é impossível não lembrar da famosa cena da Dorothy de Judy Garland se despedindo dos Munchkins, seguindo a Estrada de Tijolos Amarelos em rumo à Cidade das Esmeraldas.

O amor pelo cinema é nítido e isso dá uma essência tão magnífica para a produção, nos mostrando o quão especial este projeto é. No meio de milhares de blockbusters vazios sendo lançados, neste você vê vida, amor e dedicação, elementos raramente vistos na atualidade cinematográfica norte-americana. Coisa que acaba consagrando Greta Gerwig como uma diretora muito especial e atemporal, porque a criação dela aqui com certeza vai ressoar por muitos anos e ainda será admirada por várias gerações


O trabalho da direção de arte de recriar o artificial da Barbielândia à moda antiga é algo que deve render pelo menos uma indicação da Academia. Os cenários pintados a mão, as cores vivas, os objetos de cena, tudo é muito bonito e bem feito, criando a alma do filme.

Toda a equipe conhece muito bem este universo e sabe bem como utilizá-lo para criar a nostalgia da infância de muitas garotas, com bonecos antigos, e até mesmo descontinuados, ou até mesmo aquela boneca meio desfigurada por ter sido brincada de uma forma mais radical.

E para completar, ainda tem o elenco, o qual foi muito bem escolhido e são todos muito bons. Margot Robbie está espetacular como a icônica boneca e sabe muito bem como retratar a visão de Gerwig com a avalanche de emoções qual sua personagem recebe. Ryan Gosling rouba diversas vezes a cena e com certeza foi a melhor escolha para o Ken, interpretando um dos papéis que mais o destaca como ator, com toda aquela energia bobona e ao mesmo tempo repleta de carisma.

America Ferrera merece muito reconhecimento por sua interpretação como Gloria, entregando um monólogo emocionante e poderoso, que emociona até mesmo quem não consegue se identificar mas compreende claramente. Michael Cera e Kate McKinnon, mesmo com papéis menores, se destacam muito em suas cenas por serem naturalmente engraçados e muito bons para seus personagens.

É animador ver toda essa comoção pelo longa, que está levando milhões de pessoas as cinemas e, pelo menos na minha sessão, ao olhar ao redor, ver todos emocionados com esta história e encantados com a magia dos filmes, e claro, conhecendo o trabalho fantástico de Greta Gerwig.


Em geral, Barbie é uma poderosa combinação de roteiro e direção, levando o público a se emocionarem com a bela, e tão real, visão da diretora, a qual é interpretada por um elenco muito bem escalado. Também encanta e se revela como um futuro clássico por toda sua glória e amor que mostra ao cinema com seus figurinos, cenários e objetos de cenas, tudo isso mesclado com ótimas piadas e boas críticas sociais.


Barbie (2023) – dir. Greta Gerwig

Nota: ★★★★★


Sinopse: No mundo mágico das Barbies, "Barbieland", uma das bonecas começa a perceber que não se encaixa como as outras. Depois de ser expulsa, ela parte para uma aventura no "mundo real", onde descobre que a beleza está no interior de cada um.



Comentários


bottom of page