Crítica: Heartstopper (2ª temporada) - "Alice Oseman faz nosso coração parar novamente"
- Mateus Coripio
- 7 de ago. de 2023
- 4 min de leitura

Estreou no dia 3 de agosto, quinta-feira, a segunda temporada do sucesso da Netflix, Heartstopper.
Baseado nos quadrinhos de Alice Oseman, conta sobre o amor entre dois meninos no ensino médio de uma escola somente para garotos e como eles lidam com novos sentimentos, descobertas e mudanças em sua vida.
A nova temporada é uma grande evolução da série, e dos personagens em si, conforme se aprofunda em assuntos mais sérios, os quais são muito bem abordados pelo roteiro e são prometidos a se desenvolverem mais profundamente na próxima temporada, já confirmada e atualmente sendo escrita.

Embora o primeiro ano tenha sido uma adaptação quase completamente fiel as HQs, este novo capítulo permitiu a Oseman de além de manter fiel, ainda implementar e melhorar pequenos detalhes do material original que não tinham tanto espaço para se desenvolverem. Para quem já leu os quadrinhos, a adaptação vira quase como uma expansão, conseguindo cativar, criando situações e detalhes extras que fazem toda a diferença para os amantes do conteúdo original.
Alice conhece tão bem seu universo que consegue modificar e expandir qualquer história para qualquer personagem, criar novos e adicionar eles na trama sem parecer forçado, ainda desenvolvendo narrativas lindas para suas vidas. É um acerto gigantesco o roteiro ter ficado em suas mãos e ser dado tanta liberdade criativa para ela, pois está sabendo aproveitar muito bem este espaço.

Esta abertura para desenvolver personagens, permite até mesmo o relacionamento com a família ser aprofundado, algo que embora citado algumas vezes nos quadrinhos, ainda era raso e aqui é mais complexo pois existe um lugar maior para isso, e ele é usado da melhor forma possível. Desfocamos muito mais de Nick e Charlie e podemos navegar nos relacionamentos de outros amigos, familiares, e até professores, que trazem uma linda história de amor.

E de volta ao casal principal, a maneira como cuidam do relacionamento deles é linda, é sensível e emocionante em toda cena. Existe um carinho muito grande vindo de Alice Oseman pelo amor dos dois e ela consegue transmitir isso em seu roteiro e momentos na tela, é nítido o jeito que entende seus personagens e sabe como manusear eles na adaptação.
Mas claro, um dos maiores méritos vem também de Kit Connor e Joe Locke, interpretes principais, que possuem uma química a qual melhora em cada episódio e eles conhecem e se aprofundam tão bem em seus personagens, sendo visível serem a melhor escolha para interpretar os amados Nick e Charlie dos quadrinhos. Eles entregam uma atuação tão carismática e cheia de emoção, enfrentando ainda mais situações difíceis que seus personagens passam do que na primeira temporada.

A dinâmica entre o grupo de amigos principal também está muito melhor desta vez, com até Imogen, interpretada por Rhea Norwood, sendo adicionada e tendo esse espaço para conseguir se descobrir também, lidando com diversas decepções amorosas, mas que a levam a perceber coisas de uma maneira mais clara.
Yasmin Finney e Kizzy Edgell, como Elle e Darcy, também estão incríveis nesta temporada, com um aprofundamento na vida das personagens que ajuda a se apegar ainda mais a elas, também nos emocionando bastante com suas histórias.
Os amigos Elle e Tao, este interpretado por William Gao, também recebem uma atenção maior e um desenvolvimento amoroso para sua relação. É escrito com uma ternura e um cuidado, sempre levando o tópico do grande medo de estragar uma amizade duradoura quando se percebe que talvez tenha algo a mais nesta relação.
A direção está melhor trabalhada e a produção teve um aumento muito grande na qualidade, e assim como anteriormente, é visível o carinho da equipe com o projeto. Os pequenos desenhos 2D na tela estão de volta e estão mais fofos que nunca, eles dão um aspecto bonito e único as cenas.
A fotografia e a trilha sonora também são grandes pontos positivos, com suas cores vibrantes e que possuem todo um significado por trás, como a relação de certo tom para cada personagem, e já a trilha sonora é cheia de mensagens que refletem sentimentos e os assuntos mostrados na tela.

O roteiro é tão redondo, e mesmo sem tentar, ele consegue atrair sua atenção e te mantém vidrado nesta narrativa, se desenvolvendo de uma forma muito bonita e verdadeira. Alice Oseman entende muito bem seus fãs, seu humor e o que faz o coração deles pararem, é lindamente escrito e tem seu lado fofo e cômico.
É lindo ver este universo sendo criado e te arrastando para dentro dele, de uma forma que deixa até um certo vazio quando a tela preta do último episódio chega, mas é gratificante saber de uma nova temporada vindo por aí, e quem sabe até outras sendo confirmadas em breve. E novamente é bom ver uma história LGBT, que embora simples, seja somente sobre amor e esperança, e não uma narrativa repleta de tragédias onde eles não podem ficar juntos, ou um deles vai morrer, ou algo do tipo, é somente dois garotos que se amam e estão prontos para enfrentar e descobrir o mundo juntos.
Em geral, Heartstopper é uma injeção de felicidade. Sua segunda temporada é maior, com arcos melhores construídos e um roteiro belíssimo. Seus personagens podem crescer, amar e explorar sua adolescência, também lidando com problemas sérios de uma forma bem abordada. A química entre os personagens é palpável e linda.

Heartstopper (2022-) – 2ª temporada
Nota: ★★★★★
Sinopse: Os adolescentes Charlie e Nick descobrem que são mais que apenas amigos e precisam lidar com as dificuldades da vida escolar e amorosa.



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