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Primeiras Impressões: The Idol - "O roteiro superficial nem é a pior parte"

  • Mateus Coripio
  • 5 de jun. de 2023
  • 3 min de leitura

Estreou no último domingo, 04 de junho, o primeiro episódio da nova aposta da HBO, The Idol.


A série de seis episódios conta a história de Jocelyn, uma popstar que após a morte de sua mãe, some do mundo musical. Prestes a fazer seu retorno, a cantora fica insatisfeita com as escolhas criativas de sua equipe e quer ganhar a fama de estrela mais sexy da América, levando-a se relacionar com Tedros, o dono de uma boate com um passado obscuro.

O sucesso estrondoso de Euphoria, especialmente entre os jovens de 17 e 18 anos, levou a HBO dar mais projetos na mão de Sam Levinson, diretor e roteirista da série ganhadora de Emmy estrelada por Zendaya.


Levinson e Abel Tesfaye (The Weeknd) coescreveram a versão atual de The Idol, antigamente um projeto com foco na visão feminina sobre como o mundo musical americano é perverso, cruel e nojento, mas rapidamente a história se tornou outra.

Amy Seimetz, antiga diretora responsável, pulou fora do projeto sem nenhuma notificação sobre seus motivos, apesar de no início deste ano, a Rolling Stones ter publicado um artigo sobre como os bastidores da obra foram extremamente conturbados.


Entre reescritas, refilmagens e trocas de cargo, a visão original, antes uma crítica, foi se diluindo até se transformar em algo vazio e se tornando aquilo, outrora, criticado pela própria produção.


O roteiro final de The Idol não tem nem forças para ser considerado ruim, simplesmente é desinteressante e superficial. Os diálogos são esquecíveis, fora aqueles que apelam para serem completamente nojentos e que só marcam a mente do espectador pelo choque de realmente terem sido escritos, e aprovados para irem ao ar. A história é vazia, mesmo Sam Levinson tentando, e muito, fazer ela parecer complexa e cheia de um significado profundo, claramente não encontrado lá.

"Eles estão todos olhando para mim?". Esta é uma frase dita pela protagonista logo no começo do episódio. Algo que era pra ser utilizado como um desenvolvimento para falar sobre seus problemas psicológicos com a pressão feita pelos seus fãs e empresários, parece mais um próprio reflexo da mente desesperada por atenção do diretor para que seu trabalho seja notado e renomado.


Existem cenas vergonhosas de serem assistidas e poderiam ter sido facilmente descartadas na sala de montagem para fazer a duração de, desnecessários, 54 minutos diminuir e acabar com aquilo mais rápido.

Lily-Rose Depp, na pele da pop star Jocelyn, foi alvo de muitas críticas nas redes sociais por seu papel, e embora achar que não esteja ruim na série, ainda não agrega nada de especial em sua personagem e é desinteressante.


Abel Tesfaye, conhecido também como The Weeknd, está arriscando seu primeiro papel na televisão com Tedros, o qual era para ser uma figura misteriosa, mas seu intérprete pareceu esquecer disto e não traz emoção alguma para ele.


As melhores partes de The Idol com certeza vão para o elenco coadjuvante, com, neste primeiro episódio, grande destaque para Rachel Sennott e Da'Vine Joy Randolph. Outro ponto também vai para a fotografia, a qual é bem bonita e realmente se assemelha bastante ao visto em Euphoria. Em contrapartida, o problema é quando você tem alguns elementos bons e todos os os outros, vitais para o funcionamento do projeto, são desinteressantes, ou só ruins mesmo.

A antiga visão da obra, que parecia uma forte crítica à indústria, ficou vazia com o toque de Levinson e Tesfaye, e parece correr para direção contrária do proposto anteriormente. Toda aquela voracidade que clama ter e o marketing de ser criado por "mentes perturbadas", não parecem trazer um significado real para o assunto e só brincam de mau gosto com todo este problema. E pelo o que foi dito sobre os próximos episódios, este caminho só parece ser seguido mais a fundo, se tornando até algo nojento e um mero produto de fetiches.

O primeiro episódio de The Idol está disponível na HBO Max. Os próximos episódios irão sair semanalmente, todos os domingo às 22h na HBO e HBO Max.




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