Crítica: A Morte do Demônio: A Ascensão - "Mamãe vai te sufocar durante seu sono"
- Mateus Coripio
- 21 de abr. de 2023
- 4 min de leitura

Estreou ontem, 20 de abril, nos cinemas brasileiros, o novo filme da franquia A Morte do Demônio, sendo lançado 10 anos após o último capítulo deste universo.
Na trama, uma família que mora em um prédio prestes a ser demolido, sofre ataques demoníacos quando a matriarca é possuída por um mal libertado através de um livro misterioso encontrado nas profundezas do edifício.

A saga, que no original recebe o nome de Evil Dead, é uma das mais conhecidas e amada pelo público do horror. Com o primeiro sendo lançado em 1981 e dirigido pelo mestre do gênero Sam Raimi, os filmes são famosos pela sua grande quantidade de sangue e a mistura de um humor ácido, se mesclando perfeitamente com o tom da narrativa.
A edição e os movimentos de câmera em A Morte do Demônio: A Ascensão nos levam diretamente aos primórdios da trilogia original, e se revelam cada vez mais como algo característico destes longas. Toda a produção é bem minuciosa neste quesito, sabendo trabalhar com os terrores e atingindo o público bem onde assusta. E em adição a isto, temos efeitos sonoros e uma mixagem de som de matar e arrepiar, e dentro de um cinema nos leva a olhar para trás para se certificar de não ter sido algo fora da tela.
Lee Cronin dirige com amor ao legado de Sam Raimi, utilizando a câmera como um objeto de vida própria e se tornando algo verdadeiramente maligno. Ele entende de terror e sabe como trazer algo frenético e alucinante para uma noite só.

Efeitos práticos também são usados e abusados, elevando a qualidade, e mesmo tendo uma parcela de CGI, não é algo tosco e estranho, tecnicamente falando, já que é bizarro dentro do gênero.
Um dos grandes acertos é a grande quantidade de gore, sem ficar para trás no nível de sanguinolência em relação aos seus antecessores. Apesar de ter uma curta duração, mais da metade do longa se concentra em uma constante tortura de personagens, chocando o espectador em cada cena. E embora demore um pouco para engatar, assim que as violências começam, só param quando os créditos rolam.

Apesar de ter suas cenas com alto nível de sangue, não conseguem ser tão criativas e se perdem com outras do gênero. Existia um potencial grande para serem mais elaboradas e de maior destaque entre seu antecessor, ou até mesmo o original, mas acabam por ser uma mistura de vômitos, tripas e nada novo e que já não tenha sido visto na história da franquia.
A ambientação da saga sempre foi a clássica cabana na floresta onde um grupo de jovens vão para passar o fim de semana e acabam encontrando horrores mortais, mas o jogo muda aqui. Somos levados da floresta assustadora à um prédio quase abandonado, e após sofrer um terremoto, deixa os protagonistas sem escapatória e presos em um local muito menor em relação a qualquer outro já abordado na franquia. Essa ideia da luta pela sobrevivência em somente uma noite e dentro de um local tão confinado, leva o espectador a ficar na ponta da cadeira aflito com o que está prestes a acontecer.

Em contrapartida com grupos que já enfrentaram as possessões no passado, A Morte do Demônio: A Ascensão nos apresenta uma família com adolescentes e crianças pequenas, e estes se juntam aos vizinhos para tentarem sobreviver à noite. E mesmo tendo personagens mais jovens, a produção não tem medo de os exporem explicitamente à violência e agonizantes situações, indo desde serem atravessados com uma lança de madeira até comerem pedaços vidro.

O insuficiente no longa não é em si a mitologia, mas sim o fato de falarem tanto nela, mas ainda sim conseguirem falar nada ao mesmo tempo. Parece somente enrolarem em seus diálogos sem ir para lugar algum, dando ao espectador uma sensação esquisita de retrocesso.
Este é o capítulo mais sério da franquia e não tem uma presença de um humor ácido, o que era um dos grandes pontos altos dos outros filmes, mas é visível se este elemento tivesse sido adicionado no roteiro, teria deixado tudo muito melhor e um diferencial maior. Apesar disto, ainda existem referências aos originais, como a motosserra, sendo este o elemento chave, e marca, de Evil Dead.

Alyssa Sutherland eleva o nível do medo e entrega uma performance macabra e única. Sua personagem, Ellie, passa por duas fases, sendo uma delas a mãe amorosa, e outra, a possuída, e ela está aterrorizante como a segunda. Com sorrisos largos de dar arrepios, e uma entrega de falas marcantes, Sutherland é a face deste novo capítulo.

Lily Sullivan como Amybeth, uma mulher muito forte, entregando tudo aquilo que os fãs do terror esperam, com cenas torturantes e direito a ficar encharcada de sangue da cabeça aos pés.

Em geral, A Morte do Demônio: A Ascensão é um bom filme de terror, sendo um ótimo divertimento para fãs do gênero, e provavelmente se tornará um clássico do horror no futuro, tendo cenas pesadas e um ritmo frenético. Apesar de tudo, peca em não conseguir utilizar todos os elementos disponíveis de uma forma mais criativa e que se destaque.

A Morte do Demônio: A Ascensão (Evil Dead Rise, 2023) – dir. Lee Cronin
Nota: ★★★½
Sinopse: Duas irmãs distantes cujo reencontro é interrompido por demônios devoradores de carne que aparecem de repente, levando-as a uma batalha primal pela sobrevivência, enfrentando a versão mais assustadora que se possa imaginar de uma família.



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