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Crítica: Aftersun - "Memórias através de uma câmera de vídeo"

  • Mateus Coripio
  • 7 de dez. de 2022
  • 2 min de leitura

Chegou na última quinta-feira, 1 de dezembro, aos cinemas brasileiros, o premiado Aftersun. Distribuído pela A24 e dirigido por Charlotte Wells, o filme conta a infância de Sophie, que tenta relembrar momentos com seu pai, agora ausente, durante uma viagem que fizeram anos atrás e registram em uma câmera de vídeo.


Aftersun é um grande exemplo de como filmes podem nos tocar de diferentes maneiras. Seu roteiro é bem simples, porém extremamente comovente.


Enquanto acompanhamos a pequena Sophie, a diretora consegue nos transportar para a visão de uma criança. As câmeras, muitas vezes, acompanham essa visão, enxergando apenas o que, e como, ela vê.


Em alguns momentos, é nítida a divisão de mentalidade de uma criança e de um adulto. Algumas conversas com seu pai, algo que Sophie diz significa apenas algo extremamente simples e até bobo para ela, mas não percebe que o afeta como se tivesse levado uma flechada.


O pai, Calum, interpretado pelo ótimo Paul Mescal, traz um leque de emoções para o personagem. Seus sentimentos por ser essa figura masculina paterna que teve uma filha tão cedo e como ainda está extremamente confuso com tudo, embora ame profundamente Sophie.


A infância é muito bem explorada por Wells no longa em pequenos detalhes. Momentos que vemos Sophie assistindo adolescentes e pensando sobre o que tudo aquilo significa, sua curiosidade em saber mais sobre aquele mundo e como está adentrando tudo aquilo. Não querer que seu pai passe mais protetor em você, o primeiro beijo, sentimentos confusos quanto ao amor, tudo explorado de uma forma verdadeira e natural.


Todas as cenas são muito bem filmadas e lindas. É quase como se voltássemos para algum momento de quando éramos crianças e estivéssemos em viagem de férias debaixo de um forte sol. Tudo isso acompanhado de uma trilha sonora espetacular para fechar o combo.


Algumas pessoas podem achar que Aftersun precise de algo muito grande, um estopim, para que realmente possa emocionar e ser triste, mas pelo contrário, estas emoções pesam muito em pequenos trechos espalhados ao longo do filme em algo está acontecendo de fundo. A exploração do relacionamento entre Calum e Sophie e o quanto os momentos significavam para ela, e como não temos uma resposta do motivo de seu pai ter se distanciado, mas o filme não precisa dar a resposta, já que fica bem estabelecido que ele não quer fazer isso.


Ao chegar aos minutos finais, o longa atinge o espectador como uma pedra. Toda a sequência final da dança e da percepção de como aquilo era apenas as últimas memórias que Sophie teve de seu pai é algo comovente e extremamente doloroso.


Em geral, Aftersun é um filme que com certeza vai emocionar muitos e tem forte chances de ganhar mais prêmios do que já ganhou. É lindo e transmite sentimentos em cada uma de suas cenas.


O filme já está em cartaz nos cinemas brasileiros e já disponível no streaming MUBI.



Aftersun (2022) - dir. Charlotte Wells

Nota: ★★★★


Sinopse: Sophie reflete sobre a alegria e a melancolia das férias que ela tirou com seu pai 20 anos antes. Memórias reais e imaginárias preenchem as lacunas enquanto ela tenta reconciliar o pai que conheceu com o homem que desconhecia.

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