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Crítica: Dungeons & Dragons - "Contrariando a Lei de Murphy com uma aventura fantástica"

  • Mateus Coripio
  • 19 de abr. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 19 de abr. de 2023


Chegou aos cinemas brasileiros na última quinta-feira (13/04), a fantasia Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes.


O filme conta a história de um grupo de desajustados que se reúnem para recuperar uma relíquia de um antigo colega, agora no trono e tendo se juntado com forças malignas capazes de destruir o mundo como conhecem.


Um dos grandes públicos-alvo do longa são os fãs do famoso RPG de mesa de mesmo nome. O jogo já tinha tentado se arriscar com umas algumas adaptações, sendo elas alguns longas-metragens e inclusive o clássico desenho Caverna do Dragão, dos anos 80.

O grande diferencial Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes de suas obras passadas, é a imersão mais fantástica dentro deste mundo de fantasia. Este universo já é preestabelecido e extremamente complexo, porém aqui ele é explorado de uma forma moderada, o que acaba se tornando o ideal para não assustar com uma grande quantidade de informações pessoas que não conhecem nada sobre, apesar de ainda sim manter o amor pelas campanhas de mesa.

Dentre os aspectos técnicos, embora o CGI dê uma escorregada em algumas cenas, ainda consegue ser melhor que os estamos vendo em filmes do gênero nos últimos anos. Também foram utilizados diversos efeitos práticos incríveis na produção, dando um ar mais verídico e original, ajudando a amenizar uma grande parte da massa de efeitos computadorizados que são usados ao extremo em produções de Hollywood modernas.

Estão presentes partes com uma ação mais intensa, possuindo uma boa coreografia e ótima filmagem. Assim também são as perseguições, como a fuga do dragão gigantesco no mundo subterrâneo, ou a cena em plano sequência, que é fenomenal, de uma personagem escapando do castelo e se transformando em várias criaturas no percurso.


Planos e uma narrativa digna de uma boa fantasia são o que elevam o nível da aventura do filme, trazendo até uma nostalgia dos anos 2000, anos em que o gênero estava em alta com produções como O Senhor dos Anéis.

A Lei da Murphy, a qual diz: “Se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará.”, é um fardo que nossos personagens levam consigo quando estão separados, sem a capacidade de terem algo se realizando com sucesso em suas vidas, mas quando eles se juntam, mesmo que falhem muitas vezes, existe uma possibilidade desta lei se quebrar.


É também algo muito presente no roteiro um lado mais cômico, funcionando melhor para esta história do que se fosse focado em algo extremamente sério. Mas isto não afeta em nada, já que as piadas não são desnecessárias ou bobas, e sim divertidas e mantém o espectador mais envolvido naquela trama. E este elemento ainda se mistura com alguns seres e objetos que podem ser vistos como coisas absurdas, mas que com o toque de humor ficam perfeitos para o tom do longa.

Embora alguns personagens tenham um desenvolvimento mais precário, como é o caso de Doric, interpretada por Sophia Lillis, que quase não possui falas e é usada mais como uma ferramenta para abrir portas e conseguir levar o protagonista para seu destino, ainda é de se esperar que em possíveis sequências, algo que com certeza deve acontecer se o filme obtiver o sucesso esperado, novos arcos sejam adicionados como forma de obterem um aprofundamento melhor.

Alguns fãs do RPG de mesa estavam preocupados com algumas mudanças em características de criaturas, mundo etc., mas como já foi dito pelos diretores Jonathan Goldstein e John Francis Daley, são alterações necessárias para que tudo funcione com uma harmonia melhor, e para dar à mídia em que este universo está sendo atualmente adaptado, neste caso o meio cinematográfico, algo mais emocionante e funcional.


Chris Pine interpreta Edgin, um antigo harpista traumatizado pela morte de sua esposa. Pine está ótimo no papel e ajuda o lado mais cômico e emocionante do filme. Ele possui algumas características quais o ajudam a mergulhar de cabeça naquele universo e se camuflar naquela época medieval. E Michelle Rodriguez no papel de Holga, possui uma química muito boa com o ator, ajudando a criar um relacionamento de amizade onde o público consegue facilmente se conectar.


Justice Smith e Sophia Lillis, embora sejam jogados mais para o plano de fundo, possuem muito potencial para futuras tramas, já que muitas vezes roubam a cena com as habilidades de seus personagens e mostram que podem protagonizar uma história naquele universo.

Em geral, Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes é um filme para os fãs de aventura que sentiam saudade de uma boa jornada fantástica com heróis desajustados, personagens cativantes, um bom tom de humor e planos mirabolantes propensos a darem errado a qualquer momento.



Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes (Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves, 2023) – dir. John Francis Daley & Jonathan M. Goldstein

Nota: ★★★★


Sinopse: Em um mundo repleto de dragões, elfos, anões, orcs e outras criaturas fantásticas, sobreviver é sempre um grande desafio. Raven Hightower é um humano que se arrisca entre os lugares mais perigosos e misteriosos desse universo, sempre com a ajuda de outros aventureiros que, assim como ele, estão dispostos a combater o mal e a derrotar as mais terríveis criaturas que surgem em seus caminhos.

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