Crítica: John Wick 4: Baba Yaga - "Beira o absurdo da forma mais positiva e frenética possível"
- Mateus Coripio
- 10 de abr. de 2023
- 4 min de leitura

Estreou no dia 23 de março nos cinemas brasileiros, o quarto filme da franquia John Wick.
No filme, vamos continuar um pouco após onde terceiro nos deixou. John Wick está ainda sendo mundialmente procurado e marcado pela Alta Cúpula com uma recompensa milionária atrás de sua cabeça. Wick vai viajar o mundo em busca daqueles que podem lhe ajudar a destruir o reinado dos chefões da máfia para que finalmente possa ter sua paz de volta.

A saga do assassino de aluguel já se consagrou, tanto pela crítica, quanto pelo público, como uma das melhores do gênero de ação dos últimos tempo. Com sequências grandiosas e um ritmo frenético, os longas conseguem fisgar o espectador que mergulha no complicado mundo governado pela Alta Cúpula, e no quarto capítulo dessa história não poderia ser diferente.
Uma das coisas que toda saga de John Wick sempre nos surpreende são as mais elaboradas cenas de luta. Mesmo após três filmes, que juntos somam mais de seis horas de pura adrenalina, a produção ainda consegue criar sequências mais complexas, e até lindas de serem vistas.

Com uma grande duração, a ação nos impede de sentir suas horas passarem e prende o público com um ritmo extremamente frenético e com cenas que facilmente batem mais de vinte minutos de lutas, e cada uma superando a outra. Um grande destaque vai para as sequências que se passam dentro da cidade de Paris, que fazem uma jornada desde suas ruas, até o Arco do Triunfo e a Igreja de Sacre Couer. Algumas até chegam a beirar o absurdo, mas com o que já foi pré-estabilizado no passado, não é nada para John Wick e elas servem para construir este clima de adrenalina que percorre o filme inteiro.
Chad Stahelski, que já havia se destacado por cenas do mesmo tipo nos outros capítulos da franquia, se supera neste e dirige extremamente bem, dando uma vida para a câmera com planos lindos e bem escolhidos, que se juntam da melhor maneira possível em todos os confrontos.

É nos dado a sensação de que muito do que vemos nos antecessores são lutas somente com armas de fogo, e embora este tenha muito disso, ele também proporciona aos seus personagens uma seleção muito mais abrangente de ferramentas, que vão desde Nunchakus, até cartas de baralhos.
Keanu Reeves, que volta na pele do assassino de aluguel, tenta realizar suas próprias cenas sempre que pode, mas o roteiro e o diretor parecem sempre trabalharem para impedir de isso acontecer e coloca seu personagem nas situações mais absurdas possíveis, como rolar pelo menos cinco lances de escadas seguidos. O ator incorpora Wick, e novamente, mesmo sendo um homem de poucas palavras, reafirma a visão do personagem com seu rosto, que em todo novo longa nos confirma que não poderia ser interpretado por outra pessoa.

Bill Skarsgård interpreta o Marquês da Alta Cúpula, e como sempre, nos dá medo mesmo quando está fora de maquiagens aterrorizantes e limpo de sangue falso. Skarsgård consegue ser assustador com seus olhares vidrados e sua própria presença, mesmo estando na pele de apenas um personagem medroso, mas com muito poder de mover peças no xadrez da máfia.

O furo que mais se abre no roteiro, e que vai desde Parabellum, é de como John consegue sobreviver aos mais pesados nocautes, como cair de um prédio, ou de uma altura absurda, e ainda com o brinde de bater suas costas em uma grande pedra no percurso. Mas isto já é clássico de diversos filmes do gênero que tem como seus protagonistas sendo mais “invencíveis”, para que assim a história consiga ser mais longa.

A narrativa se estende para além de seu personagem principal e vai para outras pessoas e relacionamentos, como é o caso Shimazu, dono do hotel Continental de Osawa, com sua filha Akira. E mesmo que ainda em um filme de quase três horas de duração, não foi dado um espaço devido para se desenvolver de uma forma muito satisfatória, mas que abre portas para o futuro da franquia, incluindo até uma cena pós-crédito que indica o mesmo.

Também é possível ver um pouco de algumas outras regras deste mundo do crime, que mesmo sendo repleto de armas, perseguições e grande recompensas em trocas de vidas, ainda sim possui normas e antigas tradições que precisam ser respeitadas por todos os seus membros. E que assim reafirma o grande poder dessa sociedade em seus seguidores, que vai além de amizades de longa datas, irmandades e família.
É cômico como o roteiro também brinca com questões como a paixão de John por cães, e como a vida de um deles sempre vem na frente da sua própria. E esse truque funciona muito bem para suavizar o constante ritmo, que sempre se constrói cada vez mais, mas que em alguns momentos necessita de um alívio, que algumas piadas proporcionam.

Em geral, John Wick 4: Baba Yaga é superior que seus antecessores, e que mesmo com quase três horas consegue prender o espectador com suas grandes sequências de ação, que estão ainda mais mirabolantes e são extremamente bem filmadas, coreografadas e dirigidas.

John Wick 4: Baba Yaga (John Wick Chapter 4: Baba Yaga, 2023) – dir. Chad Stahelski
Nota: ★★★★½
Sinopse: Com o preço por sua cabeça cada vez maior, John Wick leva sua luta contra a alta mesa global enquanto procura os jogadores mais poderosos do submundo, de Nova York a Paris, de Osaka a Berlim.



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