Crítica: Pânico VI – “Uma carta de amor sangrenta e brutal”
- Mateus Coripio
- 10 de mar. de 2023
- 4 min de leitura

Chegou aos cinemas brasileiros hoje, 09 de março, o sexto filme da franquia Pânico.
Continuando a história do quinto filme, Pânico VI vai seguir a nova vida de Sam e Tara tentando retomar sua vida, agora na cidade de Nova York. Após os traumáticos acontecimentos de Woodsboro no último ano, as duas irmãs estão vivendo na cidade grande e tem perspectivas e objetivos bem diferentes. Sam está focada na segurança de sua família, e na tentativa de tentar entender o que realmente sentiu durante os massacres que presenciou. Já Tara, quer focar em viver sua vida e superar tudo o que se passou para poder assim ter uma juventude como qualquer universitária comum.

A protagonista desse novo arco da franquia, Samantha Carpenter, interpretada por Melissa Barrera, está sofrendo muito por conta de todas as teorias das conspirações criadas por usuários na internet sobre o que realmente teria acontecido no desfecho da história do quinto filme. Alguns acusam ela de ter sido a real responsável pelos crimes e ter conseguido se livrar da culpa.
Barrera entrega uma Sam muito mais profunda e complicada. Parece que durante o filme anterior, claro que por grande parte culpa do roteiro, que não possuía bons diálogos para a personagem, ela era completamente apagada facilmente da cena, não possuindo um bom desenvolvimento e nem parecendo ser a protagonista, tendo quase nenhuma expressividade.

É a primeira vez dentre todos os seis longas, que realmente existe um desenvolvimento mais profundo nos traumas que os acontecimentos deixam nos sobreviventes, tendo até mesmo sessões com psicológicos, onde conseguimos ver mais sobre os sentimentos de Samantha, sobre tudo o que já aconteceu e as marcas que deixou em sua mente.
Pânico VI já chegou chocando por sua alta classificação no território nacional de para maiores de 18 anos, tal que a franquia nunca havia recebido antes. Os diretores Tyler Gillett e Matt Bettinelli-Oplin, responsáveis pelo filme anterior, Pânico (2022), e o elogiado, Casamento Sangrento (2019), sabem como conduzir a franquia para usar toda a brutalidade que um assassino tão humano poderia ter. É a primeira vez dentro deste universo, onde vemos um Ghostface tão rápido, ágil e violento. Ele não hesita em matar, nem mesmo em lugares completamente cheio de pessoas. A única coisa que o vilão não sabe, é que os personagens também ficaram tão inteligentes quanto.

O filme abre com uma grande cena de abertura onde somos manipulados pelo roteiro para depois sermos jogados de volta no grande mistério da identidade do mascarado. A cena pode até receber o título de a melhor da franquia, só ficando atrás da clássica abertura do original estrelada por Drew Barrymore.

À medida que a história avança, o ritmo entra em uma corda bamba, as vezes ele é extremamente frenético, porém as vezes não parece saber como ter mais tempo para todos os personagens que estão presentes e só adicionam cenas para eles terem uma mínima utilidade.
Dentro deste tempo frenético, nós somos apresentados a várias cenas de perseguições grandiosas recheadas com uma boa quantidade de violência e sangue. Com toda certeza, são as sequências mais elaboradas de correria que a franquia já viu.

O filme também brinca muito com a metalinguagem, algo presente na saga desde o primeiro, porém o roteiro usa e abusa disso, o que algumas vezes pode ficar pesado até demais, porém que na grande maioria entregam uma boa diversão e cenas cômicas.
Mindy, interpretada por Jasmin Savoy-Brown, brilha em seu papel de cinéfila do horror, sendo responsável por a maioria das cenas engraçadas, que claro, são muito bem-vindas para a franquia.

Jenna Ortega, que já havia se provado muito em Pânico 5, também entra de cabeça em sua personagem e traz uma Tara Carpenter mais furiosa e destemida. Ortega é o centro das atenções em todas as cenas que está presente e mostra que pertence ao terror.

A franquia do mascarado Ghostface já havia se mostrado que utiliza de uma fórmula muito específica, e embora ela pode ser modificada aqui e ali, ainda é nítido que não é feito muito para progredir em questão de uma inovação, o que pode ocasionar em um grande problema para não-fãs do famoso gênero slasher, e da própria saga. O que pessoalmente não me incomoda muito, mas que com certeza receberá muitas críticas negativas.
É visível é como o roteiro foi modificado por conta da saída de Neve Campbell do elenco, a famosa final girl original dos filmes, Sidney Prescott. Motivações foram mudadas para se adaptar aos novos personagens da franquia, que acabaram ficando meio vazias e não muito surpreendentes.

Duas personagens do passado voltam, sendo elas a famosa jornalista Gale Weathers, e a, agora agente do FBI, Kirby Reeds, que havia quase morrido em Pânico 4. Infelizmente, as duas só estão ali para ajudar os personagens a chegarem em outros lugares e não terem um desenvolvimento, ou uma história nova, para si.

Outro problema presente é que o grande cenário da cidade de Nova York, não é utilizado em seu total potencial. São feitas algumas cenas que mostram um gosto disso, como a sequência dentro do metrô, que é completamente aterrorizante, mas a cidade em si não é muito importante para história como foi vendida.

O terceiro ato, apesar de ter seus defeitos com as motivações por detrás dos assassinatos, é o mais pesado de toda a franquia e com certeza um dos motivos pela alta classificação.

É certo que tenha seus lados negativos, mas o longa-metragem acerta muito com os fãs da franquia e com certeza é um prato cheio de violência e brutalidade. É certo dizer que é um slasher perfeito, embora talvez não seja um terror inovador, mas enquanto a fórmula estiver funcionando, estaremos de braços abertos para novos assassinos com a famosa máscara de fantasma.
Em geral, Pânico VI é um filme para os amantes da franquia e tem melhorias, funcionando melhor que seu antecessor, mas ainda fica preso na fórmula e não inova muito. Ele é violento e brutal, com um Ghostface mais amedrontador e tendo sequências de ficar na ponta da cadeira. É Pânico em sua melhor forma e um dos melhores filmes da longa saga.

Pânico VI (Scream VI, 2023) – dir. Tyler Gillett & Matt Bettinelli-Olpin
Nota: ★★★★
Sinopse: Sam, Tara, Chad e Mindy, os quatro sobreviventes do massacre realizado pelo Ghostface, decidem deixar Woodsboro para trás em busca de um novo começo em uma cidade diferente. Mas não demora muito para eles se tornarem alvo de um novo serial killer mascarado.



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